Carmen Miranda, que nasceu há cem anos, vai ser recordada em
Fevereiro pela Cinemateca, em Lisboa, com a exibição de nove filmes que a actriz
e cantora portuguesa fez em Hollywood nos anos 1940 e 1950.
O ciclo "Carnaval com Carmen Miranda" decorrerá nos dias 17, 18 e 21 de
Fevereiro, no mês em que se assinalam os cem anos do nascimento da cantora
nascida em Marco de Canaveses.
A programação abre com um curto documentário de Maria Guadalupe
e Jorge Ilelli, de 1969, sobre a cantora e prossegue com "Sinfonia de Estrelas"
(1943), de Busby Berkeley, filme no auge do Technicolor e um dos mais conhecidos
de Carmen Miranda, no qual interpreta o extravagante "The lady in the
tutti-frutti hat".
No dia 18 passa "Copacabana" (1947), filme a preto e branco de
Alfred Green, onde Carmen Miranda contracena com Groucho Marx numa história
passada num bar de Nova Iorque. É nele que Carmen Miranda canta "Tico-tico no
fubá".
No dia 21, sábado de Carnaval, haverá uma maratona de cinco
filmes, entre os quais "Férias nas montanhas", (1942), de Irving Cummings, e "A
canção da felicidade" (1946), de Lewis Seiler.
Haverá ainda "O castelo das surpresas" (1953), de George
Marshall, o último filme de Carmen Miranda, feito dois anos antes da sua morte,
e no qual entram também Jerry Lewis e Dean Martin.
O ciclo encerra nesse dia com "Uma noite no rio" (1945), de
Irving Cummings, e "Serenata Boémia" (1944), de Walter Lang, musical em que
Carmen Miranda interpreta a cartomante Princesa Querida e canta, entre outros,
"O que é que a baiana tem".
Carmen Miranda nasceu a 09 de Fevereiro de 1909 em Várzea da
Ovelha, Marco de Canaveses, mas foi no Brasil que passou parte da sua vida,
depois dos pais terem emigrado para o Rio de Janeiro.
Com pouco mais de vinte anos era já uma vedeta no Brasil, tanto
na música como no cinema, chamando a atenção de Hollywood.
Na década de 1940 foi uma das actrizes mais bem pagas do
cinema norte-americano, ao encarnar uma personagem folclórica e garrida, de
pronúncia acentuada, em mais de dez filmes, feitos até 1953.
Conhecida a sua dependência de barbitúricos, Carmen Miranda
morreu nos Estados Unidos a 05 de Agosto de 1955, com 46 anos, de ataque
cardíaco, depois de ter participado num programa televisivo.
Quando o corpo foi trasladado para o Rio de Janeiro, a
cerimónia foi acompanhada por cerca de meio milhão de pessoas.
SAPO/LUSA
